O atual momento da Estácio.
As propostas de combinação de negócios entre a Estácio e a Kroton, e posteriormente também com a Ser Educacional não alteraram apenas o valor das ações na Bolsa de Valores. As expectativas e as conversas sobre como será o futuro da Estácio viraram assunto do momento. Diante disso, Miguel de Paula, Diretor de Gente e Gestão, conversou com a equipe de Comunicação Interna sobre o tema.
Leia abaixo a entrevista e saiba mais sobre os rumos da Estácio.
As proposta da Kroton e da Ser Educacional criaram expectativas não só no mercado, mas também internamente entre os colaboradores. Como funciona esta dinâmica?
Uma empresa de capital aberto como a Estácio passou por um processo chamado de “abertura de capital”, ou seja, dividiu a empresa em milhões de cotas ou ações, e vendeu parte dessas ações na Bolsa de Valores, para pessoas que não conhece e que dessa forma viraram suas sócias. A empresa transformou-se numa “S.A.”, uma Sociedade Anônima.
Precisamos entender que no nosso caso, não temos um único controlador definido. Temos mais de seis mil sócios que dividem algo em torno de 316 milhões de ações que temos na Bolsa. Vários desses sócios são fundos de pensão, fundos de investimentos, bancos e clubes de investidores e é nesse cenário de mercado que outras empresas como a Kroton e a Ser Educacional podem fazer propostas de combinação de negócios através de compra ou troca de ações.
Essa é a dinâmica no mercado de ações. É sempre importante destacar que as decisões referentes a esse processo são tomadas por todos os investidores que detêm ações no momento da Assembleia que for convocada para as eventuais votações. Nesse momento, o nosso Conselho de Administração, auxiliado pela nossa Diretoria Executiva, deverá manifestar aos acionistas (que poderão ou não acatar o Conselho) qual a sua recomendação diante das opções existentes.
Como está sendo feita a análise das diferentes propostas?
Conforme mencionei, o Conselho de Administração é o órgão que responde por um tema tão estratégico como este. Como foi divulgado na intranet, o nosso Conselho de Administração aprovou a criação de um comitê com quatro membros, que vem se dedicando de forma mais intensa para analisar, em conjunto com a Diretoria Executiva, as propostas que forem apresentadas como alternativas à iniciativa tomada pela Kroton. Vale destacar que a partir do momento que a ideia da Kroton se tornou pública, todos os demais agentes (fundos, empresas de educação, sócios estratégicos etc.) que possam ter alguma forma de interesse em se associar à Estácio, eventualmente acabam apresentando propostas alternativas para apreciação pelo CA.
É importante frisar que esse comitê deverá levar as suas propostas para o CA, que por sua vez em algum momento deverá convocar uma AGE - Assembleia Geral Extraordinária de acionistas para tomar as decisões finais.
Além deste comitê, alguma outra instituição participa do processo?
A Estácio contratou um banco e um escritório de advocacia especializados nessa área para nos dar assessoria e suporte. O Presidente e o Diretor Financeiro, em conjunto com o comitê, estão conversando com os interessados e avaliando todas as oportunidades. Uma vez cumprido o rito explicado acima e concluída a AGE, a depender da proposta encaminhada e aprovada, ainda poderão haver outras instâncias como por exemplo o CADE (antitruste) que deverão validar os termos propostos.
Ou seja, este é um processo longo, que exige atenção e disciplina da Diretoria Executiva da Estácio, e que precisa seguir a uma série de protocolos e ritos principalmente no que diz respeito ao fluxo de informação que pode ser passado seguindo as regras da CVM, outro órgão do mercado de capitais envolvido em momentos como este.
Quais os próximos passos?
Como eu disse, este não é um processo rápido, pelo contrário ele é bastante demorado. Qualquer decisão vai ser tomada levando em conta o que é o melhor para os alunos, os colaboradores e os acionistas. A Estácio é uma empresa com grande potencial, grandes resultados e um futuro brilhante pela frente. O comitê e o Conselho de Administração, bem como o Presidente e toda a Diretoria Executiva, estarão sempre imbuídos na busca do melhor para a Estácio e suas pessoas.
Qual seria um recado para os mais de 16 mil colaboradores da Estácio no Brasil nesse momento?
O principal recado nesse momento é de trabalhar e manter suas rotinas, suas metas, seu dia a dia. Precisamos seguir cumprindo nossa missão e cuidar dos mais de 550 mil alunos. Eles são o motivo da nossa existência. Precisamos continuar com nossa captação, continuar trabalhando e educando para transformar como sempre fizemos com a determinação e a garra característica da nossa gente.
Gostaria de ressaltar que, para além das nossas obrigações profissionais, o fato de mantermos a nossa agenda dá a devida tranquilidade para a Diretoria Executiva buscar a melhor alternativa durante o processo, cientes de que a Estácio continua sendo conduzida na mais perfeita ordem. Além disso, bons resultados sempre ajudam em processos como esse, onde uma das variáveis em discussão é o próprio valor da nossa empresa, que deriva diretamente dos nossos resultados. Por fim, uma das alternativas sempre em análise em situações como essa é a de ficar “stand-alone”, ou seja, de permanecer com a empresa como ela é hoje. Isso pode acontecer caso os acionistas cheguem a conclusão de que o melhor a fazer é manter a sociedade como está e auferir os ganhos futuros que todos nós imaginamos ser capazes de gerar. Nesse contexto, seria muito bom termos as coisas absolutamente em ordem para o momento em que chegarmos a um desfecho para o processo corrente.
Teremos ainda muitas notícias divulgadas pela imprensa, mas o mais importante é manter o foco no trabalho, sem se deixar levar pela emoção e pelas diferentes especulações. Eu termino reforçando que ao longo dos 46 anos de nossa história e nos últimos oito anos, com esta atual Diretoria Executiva, a transparência sempre foi a tônica nas nossas relações e nesse momento especial manteremos esse compromisso, sempre respeitando as regras do jogo diante de um cenário tão complexo do ponto de vista regulatório. Tão logo tenhamos condições de comunicar decisões mais concretas nós o faremos com a devida agilidade, por uma questão de respeito com nossos colaboradores.